A sociologia da ciência é um ramo de estudo da sociologia dentro do campo da sociologia do conhecimento que estuda a influência de fatores externos no desenvolvimento da ciência. Tem estreitas ligações com a História da ciência. Ganhou grande impulso com a publicação deA estrutura das revoluções científicas do físico, filósofo e historiador da ciência Thomas Kuhn. Com a radicalização da posição kuhniana, surgiram estudos cada vez mais radicais que pensavam a verdade científica como algo puramente conformado por fatores sociais, como as posições da Escola de Edimburgo e seu Programa forte de sociologia, a antropologia da ciência de Bruno Latour, e toda uma vertente de estudos pós-kuhnianos e pós-modernos.
Thomas Kuhn
Thomas Samuel Kuhn (Cincinnati, 18 de Julho 1922 — Cambridge, 17 de Junho 1996) foi um físico estadunidense.Seu trabalho incidiu sobre história da ciência e filosofia da ciência, tornando-se um marco no estudo do processo que leva ao desenvolvimento científico.
Bruno Latour
Bruno Latour (Beaune, 22 de junho de 1947) é um filósofo e antropólogo francês.
A sua principal contribuição teórica é - ao lado de outros autores como Michel Callon - o desenvolvimento da ANT - Actor Network Theory (Teoria ator-rede) que, ao analisar a atividade científica, considera, enquanto variáveis, tanto os atores humanos como os não humanos, estes últimos devido à sua vinculação ao princípio de simetria generalizada.
Conhecido pelos seus livros que descrevem o processo de pesquisa científica, dentro da perspectiva construtivista que privilegia a interação entre o discurso científico e a sociedade, os de maior destaque são: Jamais Fomos Modernos e Ciência em Ação.
Latour possui doutorado em filosofia e é professor da École nationale supérieure des mines de Paris e da Universidade da Califórnia em San Diego.
Realizou estudos etnográficos na África e na América, mas sua etnografia mais conhecida foi feita no Laboratório de Neuroendocrinologia do Instituto Salk, na Califórnia. Ela deu origem ao livro Vida de Laboratório, escrito em parceria com o sociólogo inglês Steve Woolgar.
Jamais Fomos Modernos, provavelmente seu livro mais famoso, analisa de forma perspicaz o fenômeno central do Ocidente: aquele que (segundo diz para si este mesmo Ocidente) o distinguiria dos demais povos selvagens, primitivos, não-ocidentais: o Projeto Moderno.
A marca central do Ocidente seria sua modernidade, sua diferença dos seus Outros - e aquelas seriam todas, em alguma medida, categorias de acusação.
O que Latour mostra é de que forma nossa Modernidade jamais passou de um projeto, que, diga-se de passagem, falhou. Tudo aquilo de mais fundamental que pretendemos construir como sendo moderno pode ser colocado entre parênteses, e é isso o que faz o filósofo francês.
A primeira parte do livro é uma tentativa de mostrar quais seriam os fundamentos de nossa modernidade, a partir de uma polêmica histórica entre o filósofo Thomas Hobbes, e o cientista Robert Boyle, ambos britânicos. Tratava-se ali do projeto de separação entre provínciasontológicas distintas - Natureza e Cultura - e das possibilidades de se agir sobre elas.
Latour procura mostrar de que forma isso não se efetiva na dita Modernidade, para num segundo momento do livro revisar os mais diversos aspectos de nossa filosofia, nossos saberes, evidentemente passando pelo discurso mor do Ocidente - a produção científica.
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